Estádio Independência - Um pouco de História e alguns pitacos.

Um pouco de História:
Era uma vez um campo. O campo do Sete. Estádio Raimundo Sampaio. Ali no Horto. Tivemos até partida de Copa do Mundo no local nos distantes 1950 do século passado...
O tempo passou, e o "gigante" foi abandonado e esquecido de todos após a construção do Mineirão.
Ali, entre meados dos anos 80 e princípio dos 90 existiam apenas abandono e mato. Destino parecido ocorreu com seu proprietário: o tradicional Sete de Setembro Futebol Clube não passava de uma vaga lembrança dos anos 60, quando ainda disputava o Campeonato Mineiro profissionalmente.
Este período de abandono foi interrompido em 1985 com uma ampla reforma realizada pelo governo do estado e em 1989 o América assumiu a administração do local por 30 anos, depois prorrogado por mais 50 através de um comodato com o Sete de Setembro, que  de fato, não existia mais, sendo incorporado pelo Coelho em 1997, que se tornou o dono do estádio.
Em 2009 o local foi novamente fechado, não para uma reforma, mas sim para uma reconstrução, novamente patrocinada pelo dinheiro do pagador de impostos. À excessão dos vestiários, o antigo estádio foi totalmente demolido para em seu lugar nascer a Arena Independência.
O América permaneceu como proprietário do estádio, mas teve que ceder a administração a um consórcio que venceu a licitação governamental. Com isto a BWA assumiu a administração do complexo e fechou com o Atlético uma sociedade em que cada sócio recebe 50% das receitas, excetuando-se a bilheteria nos jogos de outras equipes. Pelo acordo, o Atlético em seus jogos recebe 90% de toda a bilheteria, e o restante é repassado á administradora. Em contrapartida, América e governo do estado recebem 5,35% do faturamento bruto do estádio cada.
A nova Arena Independência tem hoje capacidade para 30.018 pessoas, mas por questões de segurança e por problemas de pontos-cegos causados pelos guarda-corpos, são disponibilizados para venda apenas 23.950 lugares.
Quando da assinatura do contrato, o consórcio vencedor teria um prazo de dois anos para apresentar projetos de ampliação do estádio ao América e ao governo estadual, que teriam a opção de aprovar ou não. Durante este prazo, nenhum projeto foi oficialmente apresentado, segundo informa a administração do América.
Agora alguns pitacos:
Pessoalmente, acho a Arena Independência o mais belo estádio de Minas Gerais. Os engenheiros conseguiram unir o charme do antigo campo do Sete a um projeto moderno e dentro dos padrões FIFA de esbanjamento de grana do pagador de impostos. Mas uma pergunta permanece: 
Por que cargas-d'água não fecharam a ferradura com uma nova arquibancada? 
Deixar aquele vestiário monstrengo no projeto foi como pegar um quadro de algum pintor renomado e passar a caneta Bic na tela. 
Sei que vão falar na questão dos custos, mas isto não me convence, pois no início das obras, o orçamento que era de 30 milhões de Reais e ao fim da obra se consumiram ali R$ 125 milhões. Creio que grana não era o problema...
Se assim ocorresse, hoje não teríamos esta briga entre BWA/LuArenas, América e governo, e com no minimo mais 6.000 lugares disponíveis para a torcida. Ganhariam todos.
Quanto ao fato do Atlético mandar seus jogos no Horto, penso que foi no momento do acordo com a administradora do estádio uma boa saída, até em virtude de que à época ainda não se tinha uma definição do que ocorreria na administração do Mineirão e dos custos envolvidos para uma parceria com a Minas Arena. O Cruzeiro teve uma série de dificuldades e transtornos em sua parceria no Mineirão, além dos altos custos de utilização do mesmo. Mas isto foi a alguns anos.
Hoje penso que a melhor alternativa ao Atlético é voltar ao Mineirão. Nestes anos de utilização do Horto, o Galo não teve financeiramente um retorno substancial, além do fato de ver suas médias históricas de público se reduzirem pela falta de espaço no Independência.
Há ainda a questão envolvendo o América que não aceita uma ampliação no estádio. 
É sim, seu direito, afinal é o proprietário e deve arcar com as consequências de suas decisões. Se você aluga uma casa, e depois descobre que ela não lhe atende, mude de casa ou construa a sua.
O Independência deveria ser para o Atlético o que hoje é o Mineirão. Deveríamos fazer lá apenas alguns jogos de menor interesse, como no estadual, e de modo geral usar o Gigante da Pampulha como sua casa de fato, até a construção de seu próprio estádio. Acredito que hoje há um espaço maior para negociação entre a administradora do Mineirão e o Atlético, pois uma parceria ganha-ganha é muito viável para ambos.
E para finalizar, o segundo jogo das finais do Mineiro tem que ser no Mineirão. Lá é a casa de festas do futebol mineiro!
Uma cerveja gelada e um abraço...





                                                                                                                                Por Sagran Carvalho.













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