Quando o que menos importa é o Torcedor.
Camaradas do Buteco, não fiquem bravos, pois a cerveja está gelada e o tira-gosto vem logo, ou seja, tudo pronto para um fim de semana de finais tão aguardadas, depois de quase 4 meses de modorrentas fases classificatórias nos semi-comatosos campeonatos estaduais.
O que vale finalmente chegou:
Atlético x Cruzeiro em Minas;
Corinthians x Ponte em Sampa;
Fla x Flu no Rio;
Coritiba x Atlético no Paraná;
Inter x Novo Hamburgo no Gauchão;
Bahia x Vitória no Baiano;
Sport x Salgueiro no Pernambucano;
e Goiás x Vila no Goianão...
Clássicos, muita tradição e algumas surpresas. Mas o fato é que a hora do show chegou e os mais interessados, é claro, os torcedores se preparam para curtir e acompanhar seus respectivos clubes em busca do caneco. É hora da gastar os caraminguás em coisa séria, jogo que vale taça, apesar dos estaduais hoje não terem o mesmo apelo do passado. Mas, em se tratando de clássico, que o adversário me veja gritar campeão enquanto ele desdenha, morto de inveja do meu título.
É hora dos clubes retribuírem o apoio recebido de suas torcidas que compareceram até aqui por paixão, não pela qualidade do espetáculo. É o momento também de faturar uma grana a mais em dois jogos com apelo e encherem estádios reiteradamente vazios com jogos que valem algo. Junta-se a fome com a vontade de comer para todos.
Bem, para todos não!
Em Minas as coisas são diferentes...
Lá ao que parece, os dirigentes não estão preocupados com dinheiro e muito menos com suas torcidas. Lá o que importa, é vencer uma batalha de egos. O resto é segundo plano.
O Mineirão, desde sua inauguração lá pelos idos dos anos 60 do século passado sempre foi o palco das decisões estaduais. Não importava se Atlético, Cruzeiro e até América decidissem o campeonato. O certo é que as finais seriam no Gigante da Pampulha.
Aí veio uma Copa do Mundo e uma reforma que praticamente reconstruiu o estádio.
Ficou lindo por fora, virou arena, foi modernizado ao mais puro estilo FIFA de torrar dinheiro dos pagadores de impostos, e desde então, após sua reinauguração, a todo confronto entre os dois maiores times do estado, o que menos importa é o torcedor.
Após a reforma, o estádio foi repassado a um consórcio, que pelo que se sabe, extorque o Cruzeiro e não chega a um acordo comercial com o Atlético. E nisso, o maior palco do estado foi negado à torcida do Atlético, que se mudou para o acanhado Independência, enquanto a torcida cruzeirense continua frequentando o Mineirão à custos elevados para seu clube.
Desde então, a cada confronto ou cada final envolvendo os dois grandes de Minas começa o debate, a guerra comercial e de egos entre as diretorias, o consórcio, a PM, a Federação e o minúsculo Independência.
Neste bate-boca, o que menos importa é o que o torcedor deseja. A diretoria atleticana adotou o campo do Horto como sua casa, e nisto limitou o acesso de sua enorme torcida aos pouco mais de 20.000 lugares do Independência, que é acanhado para receber o clássico. Já a diretoria cruzeirense se escora em um contrato mal feito com a concessionária que administra o Mineirão e arca com custos elevados para gritar que a casa é sua. A PM se exime da responsabilidade de administrar a situação no Horto e exige torcida única no estádio. A Federação que é a mandante tenta chegar a acordos sem nada decidir, e a concessionária aguarda a decisão de tudo para saber se faturará em um ou dois jogos.
Agora aos fatos:
Fato 1: A situação só é favorável à concessionária;
Fato 2: Se as diretorias de Atlético e Cruzeiro estivessem mais preocupadas com o negócio futebol, a situação já teria sido resolvida;
Fato 3: O Independência 'não tem estrutura e nem capacidade para abrigar uma final;
Fato 4: Atlético e Cruzeiro faturariam bem mais no Mineirão;
Desta maneira...
Façam a final no Mineirão e respeitem suas torcidas. Afinal, no fim, sempre a conta é bancada por eles.
Sem torcida não tem patrocínio, não tem direito de televisão e não tem dinheiro para nada.
É tão difícil de entender...?
Tratem bem o torcedor, eles lhes sustentam!
Por Sagran Carvalho.

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