Seu Oswaldo e o planejamento.
Seu Oswaldo,
No interior costumamos dizer que "rapadura é doce, mas não é mole" para aqueles momentos em que o planejado começa a desandar. É tipo aquele vinho caseiro, que você produziu com afinco e colocou para descansar, planejando abri-lo dali a algum tempo para apreciar uma bebida mais encorpada e saborosa. No dia planejado você tira a rolha da garrafa, serve um copo generoso, e ao beber percebe que tem um bom vinagre para a salada.
Acontece muito. Você se planeja, segue um protocolo e no fim algo dá errado...
Não é o fim do mundo, serve como alerta: houve uma falha no planejado, o que enseja uma correção de rumos para que a maionese não desande. É chato, mas necessário.
Neste ponto, cabe ao comandante estar atento às nuances do problema e tomar as atitudes necessárias, sob pena de que o atraso pode afundar qualquer projeto. Agir e executar!
Isto não deve ser visto como o fim de um planejamento meticuloso.
Não é!
Afinal, não se chega ao sucesso em nenhuma área sem planejamento e metas bem traçadas.
Isto não quer dizer que desvios de rotas não devam ser corrigidos. As coisas andam juntas, e qualquer bom planejamento considera esta possibilidade. Se assim não for, há uma falha estrutural no planejado.
Em relação ao que o Senhor planejou para este ano, como um torcedor que não conhece as filigranas do dia a dia de Vosso trabalho, mas que torce avidamente pelo sucesso do mesmo, fico com a sensação que de certa maneira, seu planejamento tem até funcionado, desde que visto sob uma ótica um tanto complacente.
Percebe-se que pelo pouco que utilizou suas principais peças, no que tange à elas, o caminho é promissor. É claro, foram testadas apenas uma vez e em certa medida sem muitos riscos. Mas o fato é que até aqui funcionou. Ainda há muito a testar, mas a boa impressão ficou.
Já quando se tratou do uso das peças menos nobres à sua disposição, a sensação deixada é de que há problemas que demandam uma correção de rumos. Foram usadas bem mais e o retorno até aqui não é bom. Para um ano longo, começa-se a ficar evidente que talvez algumas devam ser substituídas e outras melhor trabalhadas. A temporada é longa e a demanda será elevada. Haverão desgastes naturais entre as partes nobres que exigirão reposição de qualidade, e aí a coisa parece não ir bem.
Por este prisma, vê-se que seu planejamento até aqui funcionou, detectando fragilidades inesperadas abrindo a possibilidade de reparos, que demandarão a aquisição de mais e melhores peças.
Tendo chegado à esta conclusão, penso que agora sim seu planejamento possa ser reorientado na questão de se disponibilizar mais trabalho às partes nobres, e para evitar desgastes necessários, mesclando-as com peças aproveitáveis, e já encostando àquelas que não darão retorno. Dividir seu estoque e assim usá-lo como tem ocorrido, em um momento só nobres, e, em outro as demais já não é necessário e pode trazer desgastes que tornarão seu trabalho inviável.
Correção de rumos...lembra, escrevi acima.
Use o que de melhor tiver no momento e comece a dar encaixe na máquina, para que todas as peças rodem bem durante todo o ano, e, pare de insistir neste rodízio que em termos de resultados já se mostrou insatisfatório e improdutivo.
Não há problema em mexer no planejado.
O problema é não poder concluí-lo.
E para o sucesso, vitórias são indispensáveis!
Seu Oswaldo, o senhor sabe disto né?
Abraços,
Carvalho.

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