Vai começar - Mineiro 2018
Foto: Divulgação FMF
Desprezados, desvalorizados e até achincalhados, nos últimos anos, as temporadas brasileiras no futebol profissional começam sempre pelos campeonatos estaduais, esses pais das maiores rivalidades no futebol brasileiro. Tidos como anacrônicos em tempos modernos, sem eles, certamente Atlético x Cruzeiro, Grêmio x Inter ou Bahia x Vitória não teriam o apelo que hoje possuem junto às suas torcidas.
Sim, sou daqueles românticos que ainda acreditam nas rivalidades locais e principalmente, nos Estaduais. Cresci frequentando o antigo Mineirão com torcida dividida, pegando o ônibus no centro de BH horas antes do início do clássico. Chegava cedo ao então principal palco do futebol mineiro, aproveitando as barracas no entorno para tomar minha cerveja, comer meu churrasco e jogar o truco com os amigos, enquanto o carro de algum deles estava aberto sintonizado em alguma rádio ouvindo o pré-jogo. Ficávamos ali até 30 a 40 minutos antes da partida, para então adentrar o estádio e assistir o show e a "batalha" das torcidas, que eram sim, diferentes de hoje. Não vou dizer que não haviam desentendimentos ou brigas, sim elas ocorriam, principalmente após o jogo, quando um ou outro mais exaltado se esbarrava na saída, mas nada de mortes ou brigas agendadas entre torcidas pela internet. Isto é coisa de agora entre retardados criminosos que tem como desculpa sua torcida. Durante o jogo, os vendedores de cerveja quente lhe atendiam na arquibancada ou geral, prometendo que vendiam a mais gelada do estádio. No intervalo, o tradicional Tropeiro regrado a mais um copo de cerveja, que em geral era devorado já na arquibancada durante o segundo tempo. Ao fim do jogo, as barraquinhas no estacionamento nos aguardavam para as resenhas pós-jogo, mais truco e claro, a cervejinha realmente gelada que não encontrávamos dentro do estádio. Ali ficávamos até a melhora do trânsito, lá pelas 9 da noite. Claro, a melhora do trânsito era só uma desculpa. Neste tempo vitória era bom, mas derrota não era o fim do mundo, e claro, as famílias frequentavam o estádio. Era um programa de domingo bem divertido e nem tão caro. Todos adoravam!
Quando o jogo em questão não era um clássico, claro, havia mais conforto, mas de maneira geral, o ritual era o mesmo, e no Independência, ao invés das barracas, frequentávamos os bares no entorno do velho estádio do Horto.
Hoje é claro, os tempos são outros, o Mineirão e o Independência não são mais os mesmos e torcida dividindo estádio é coisa de maluco segundo a PM, que não se sente capaz de garantir a ordem antes, durante ou depois do evento. Tiraram a cerveja, voltaram com a cerveja e acabaram com a geral. O romantismo se tornou anacrônico, mas a rivalidade persiste e por mais que desdenhem do Estadual, se seu clube não vencê-lo, certamente a crise rondará o CT e provavelmente o treinador se juntará aos 12 milhões de desempregados na fila do seguro-desemprego.
O Campeonato Mineiro vale sim. Não tem essa de rural. O campeão será desdenhado pelos adversários. Mas a torcida campeã comemorará e tirará muito sarro dos rivais.
Tem um ditado antigo mas muito verdadeiro e que dá bem a medida deste sentimento:
"Quem desdenha, quer comprar"
Abraços do Carvalho.

Comentários
Postar um comentário